quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Adeus ano velho

Eu já estou com "adeus ano velho, feliz ano novo" na cabeça pq pra mim esse foi um ano arrastado. Arrastado no sentido de tropeços, pq na verdade passou muito rápido. Você não imagina quantos tropeços, lombadas e buracos é capaz de aguentar até passar por eles. E foram muitos, a maioria disfarçada de campos verdejantes, mas com armadilhas cobertas por flores e galhos. De algumas armadilhas eu desviei, em outras mergulhei de cabeça de olhos fechados.
Se tem uma coisa que aprendi nessa vida é que o mundo dá voltas.
E hoje ele continua girando.
Amanhã também.
E assim será até sempre.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A casa da minha vó

Morei em Santos, onde nasci, até uns 4 anos. Mãe e pai trabalhavam em São Paulo, meu irmão ainda não existia, eu e minha irmã ficávamos o dia inteiro na casa da minha vó. Lembro muito claramente de ir com minha vó no portão ver minha irmã ir para escola com uma saia branca plissada (linda) nos dias de educação física. Era meu sonho ter uma saia igual. Achava tão lindo vê-la se afastar de costas de mãos dadas com meu vô.
Quando ela voltava trazia da merenda um saquinho com umas bolachas deliciosas que a gente batia com leite no liquidificar e tomava feito vitamina, não consigo lembrar que gosto tinha ou de quem foi a idéia de bater a bolacha com leite, mas só sei que era bom, e parecia festa quando ela chegava com essas bolachas.
Minha vó morava na R. da Liberdade, 109, moramos um tempo lá, de dormir, acordar, tomar café, todos juntos, mas também lembro de um apartamento na Vila Belmiro que meus pais alugaram depois de um tempo. Desse apartamento não lembro quase nada, só de um abajour em forma de palhaço (kistch) e do meu vô me levando para assistir ao treino do Santos no campo que era muito perto, a gente ficava numa grade e ele me segurava no colo bem alto.
Na casa da minha vó tinha a Ilha da Fantasia, que era a garagem, cheia de milhões de cacarecos e que me parecia enorme ante meus 3, 4 anos. E também tinha a cadeira de balanço que meu vô sentava e contava histórias enquanto eu ficava puxando a pele da mão pra cima e rindo muito porque ela demorava pra voltar. A cadeira ainda existe, mas está na casa do vô, chamada assim porque a vó já foi pro céu.
Minha vó fazia rocambole e enrolava no pano de prato polvilhado de açúcar. Meu vô fazia caranguejo, comprava vivo e deixava no tanque para as crianças (eu e minha irmã) brincarmos, mas ele era bonzinho e matava os bichinhos antes de colocar na panela com tomate, cebola e cerveja. E ainda quebrava as patinhas e dava na nossa boca. Minha vó descascava laranja serra d'água (lima aqui em SP) e dava pra gente. Meu vô fazia o melhor feijão do mundo, sempre tinha carne seca, bacon e outras delícias. Minha vó fazia panetone sem as frutas porque a gente não gostava, sempre tinha manjar branco e batata cozida e frita na manteiga que eu adorava.
A gente dava banho de escova e sabão de côco na Guga, um cágado enorme que morava lá. Tinha goiaba com bicho na goiabeira e eu comia todos os tomatinhas cereja que minha vó plantava. Banho era de mangueira, no quintal, tinha que puxar a mangueira, passar pela janela, pendurar na grade e virava o melhor banho do mundo, mas quando a gente era menor o banho era no tanque, o mesmo em que os caranguejos passeavam antes de ir pra panela.
Na calçada tinha um ingazeiro, que dá um fruta parecida com a vagem da ervilha, só que dentro é cremosa, com fiapos e muito doce. Tinha um rack enorme na entrada, com pés palito, eu fuçava em todas as gavetas para descobrir segredos. Nesse rack que todo ano se montava a árvore de Natal, toda prateada, cheia de fiapos e bolas chiques de vidro que foram se quebrando com o tempo. Os presentes só apareciam depois que a gente saía pra dar uma volta com o meu vó e quando a gente voltava o Papai Noel tinhado passado por ali, que azar o nosso, ele sempre chegava quando a gente ia dar nossa voltinha. Minha vó sempre falou que só ganha presente quem acredita em Papai Noel.
Eu acredito até hoje e queria estar agora na Ilha da Fantasia chupando um ingá...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

2 coisas

Primeira coisa
Ontem tocou meu celular, 9 e meia da noite, hora da minha série favorita.
-Alô, D. Cinthya? Cinthya Rachel Abrantes?
-Sim, eu mesma.
-Olá, meu nome é Dejair e estou ligando do Citibank para lhe oferecer uma oportunidade como correntista...
-Hahhaha, é piada né? São nove e meia da noite você tá me ligando de um banco que nem é o meu?
-Não senhora, não é piada, é do Citibank mesmo.
-Bom Dejair, já que não é piada eu não vou nem deixar você falar, vou ter que desligar, um ótimo trabalho!
-...(atendente mudo)
-tuuuu, tuuuuu, tuuuuu

Segunda coisa
Detesto (depende da ocasião) quando afirmam que sabem o que eu estou pensando ou sentindo.
Num desses encontros de familia eu tava mega cansada pq estava cozinhando o dia todo e chega o fulano e fala:
-Você tá triste pq onãoseiquem não veio, né?
-Não, nem tava pensando nisso, tô cansada.
-Eu sei que vc tá triste pq ele não veio.
-Não é por isso, só estou cansada.
-Tudo bem, pode se abrir pra mim, vc ficou chateada que ele não veio né?

E a conversa pode se prolongar por horas pq a pessoa tem certeza que te conhece melhor do que vc mesma.
PS: o que acharam desse fundinho colorido, gostaram?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Encosta sua cabecinha no meu ombro e chora

Já ouviram falar naquela história que o processo de perda/luto/sofrimento tem fases? Você passa pela negação, acha que aquilo não está acontecendo, se isola, fica com raiva, negocia, entra em depressão e por fim aceita. Mas eu não sou assim não, percebi que meu processo de sofrimento é diferente, eu preciso chorar, como criança, sem ninguém por perto, mais ou menos assim...
Notícia triste: choro meia hora / fico bem algumas horas / choro mais uns minutos / fico bem / lembro no outro dia mas não choro / e beleza acabou.
Notícia triste grau elevado: choro meia hora / soluço como criança / fico parecendo o monstro do pântano, vermelha, catarrenta e inchada / pergunto Why God, why?? / bato a cabeça na parede / fico ótima / dois dias depois vem uma onde de tristeza por mais 10 minutos / suspiro / passa.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Essa pessoa e o mundo que a rodeia

Essa pessoa é bem legal, bonita, simpática, inteligente, cheirosa e modesta. Essa pessoa é casada. Essa pessoa um dia estava na casa da cunhada, irmã do marido e ficou com vontade de tomar marguerita. A cunhada ligou para uma amiga da mãe que não entende ironias.
-Oi amiga da minha mãe, a minha cunhada tá aqui grávida de vontade de tomar marguerita, tem a receita?
A amiga da mãe que não entende ironias (tão ruim quanto ter que explicar piada) ligou para a mãe da cunhada, vulgo sogra d´Essa pessoa e disse que a nora dela (essa pessoa) estava grávida.
A sogra ligou para a filha (cunhada dessa pessoa) e perguntou, sendo que a cunhada desmentiu tudo, disse que era apenas uma piada.
Mas a sogra não acreditou. Espalhou para a família e acha que Essa pessoa está mentindo. Já falou pra irmã, pra mãe dela, pra vizinha da cunhada e anda olhando meio torto pra barriga dessa pessoa, que no máximo é uma gordurinha localizada, vulgo provolone.
Capaz de se não aparecer um bebê daqui a 9 meses a sogra ainda achar que Essa pessoa deu o "provolone" para adoção...

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

...remoendo pequenos problemas...

Às vezes acho que tá tudo virado, todo mundo louco, pq não é possível o ministério público estar preocupado (e mandando notificação) para o autor Manoel Carlos só pq a atriz mirim Klara Castanho vai fazer uma vilãzinha. Tão dizendo que pode prejudicar a menina.

Pode prejudicar mais do que ficar sem estudar, passar o dia no farol pedindo dinheiro, não ter o que comer, ser agredido pela própria família, não ter onde morar, fazer trabalho escravo, usar drogas, não ter futuro, não ter sonhos, não ter perspectiva?

Alguém me explica?

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A Rainha dos taxistas

Eu sou musa. Eu sou fashion. Eu sou o must. Eu sou a rainha dos taxistas. Quiçá padroeira!
Peguei um táxi na sexta e lógico que puxei assunto (shame on me!): Nossa, que calor né? Ou qualquer deixa metereológica do tipo. Blá daqui, blá de lá, e começa o ataque:
-Você sabe que taxista é meio psicólogo?
-Imagino, as pessoas gostam de conversar, né?
-Não só de conversar, eu vejo cada coisa aqui nesse táxi.
Alerta amarelo
-Qual a sua profissão?
-Eu sou jornalista, escrevo, etc.
-Hum, olha o que você vai escrever sobre mim, hein? Porque se eu te contar cada coisa picante que já vi nesse táxi...
Alerta amarelo com bolinhas vermelhas
-Você sabe que cada um tem a sua história, né?
-Uhum...
-Outro dia entrou uma mulher no meu táxi e me pediu pra levá-la pra casa, mas que não estava feliz porque o marido não dava no couro fazia dois anos!
Alerta vermelho (Pai nosso que estais no céu...)
-É como eu te falei, todo mundo tem a sua história. E você, qual é a sua?
Uhu, altas sirenes, rave, ácido, gnomos saltitantes, ecstasy!!!
-A minha? Eu não tenho história nenhuma, inclusive pode me deixar aqui nessa esquina mesmo!
Fui a pé até a minha casa...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Tensão

Eu durmo de boca aberta -calma, essa informação é necessária para o post, continue lendo- mas nem sempre eu dormi tão lindamente assim. Eu tive a sorte de ter os 4 dentes do siso, que beleza, e a minha dentista agourenta mandou eu tirar antes que desse algum problema. Como boa brasileira adiei o quanto pude (adiei tanto que quando liguei pra marcar, o dentista tinha partido dessa pra melhor, mas isso é história pra outro post), até que deu algum problema e fui de emergência na fofa da dentista.
Delícia, tive que tirar um pouquinho da gengiva com aquele bisturi elétrico, fica um cheirinho de churrasco incrível no ar. Enquanto a anestesia habitava meu corpo, permaneci feliz, muito feliz. Mas ela passou, e posso dizer q a recuperação foi pior que tirar os 4 dentes do siso de uma vez. A noite eu acordava com dor e percebi que doía pq eu fechava a boca com força e acordava com aquela pontada. Fui obrigada a aprender a dormir de boca aberta. Que cena linda.
E hoje muitas vezes na hora que eu vou dormir percebo que troquei a tensão na boca por outras coisas. Noto que minha mão está apertando o edredon, que meu pé está forçando o colchão, que meu pescoço não está relaxado no travesseiro. Se eu fico assim numa situação que deveria ser tranquila, a hora da naninha, imagina como eu não devo me tensionar o dia inteiro.
Cinthya, teu sobrenome é tensão (e ansiedade, e preguiça, e impaciência...)!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Coisas que aprendi pelo caminho

A gente se preocupa e dá muito importância à coisas que não deve, porque tudo passa.
Tudo.
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