sexta-feira, 9 de abril de 2010

Talk

Estava em uma festa dia desses com uma menina de 13 anos ao meu lado, ela estava falando que curtia meu estilo, o jeito que eu me vestia, meus acessórios (oi, presilha de pena de pavão?), que ela também gostava de usar coisas diferentes, que ninguém mais usava, começou a falar da escola, das amigas e lembrei de quando eu tinha a idade dela, de como era ter 13 anos, de como era a década de 90, de 80 e contei um pouco pra ela.
Falei do vinil, da TV que você tinha que girar um botão pra mudar de canal, que não existia TV à cabo, computador pessoal, quiçá internet. Contei como a gente fazia trabalho de escola, que ia na biblioteca, fazia pesquisa, copiava tudo na folha de papel almaço (quem lembra?). Quando olho tem uma penca de meninos da mesma idade dela, todos ao me redor e fazendo várias perguntas, foi dífícil pra eles entenderem o conceito do telefone de disco (como assim a "gente" tinha tempo pra esperar o disco voltar?), da fita cassete, do VHS, de não existir celular e muito menos CTRL C + CTRL V na hora de fazer trabalho de escola. Uns curtiram, se interessaram, outros se acharam malandros porque nasceram nesse tempo tecnológico e que a gente era mega babaca, rs.
Mas isso me fez pensar que poxa, eu só tenho 15, 16, anos a mais que eles e tenho certeza que os pais deles devem ter histórias muito mais interessantes que as minhas para contar, será que eles não conversam com os filhos? Será que eles abrem mão da -na minha opinião- melhor parte de ter um filho, que é ensinar, compartilhar?
A criança é uma esponja -fato, que absorve tudo que está em sua volta e os pais tem papel fundamental nesse oceano que permeia seu filho. A escola tem seu lugar, o professor tem seu lugar, o ambiente tem seu lugar, mas o pai é o que coloca pra dormir, conta história, apresenta o mundo e seus mistérios. A criança escuta seus pais, imita seus pais, os admira.
Mas não é só por causa da história bonitinha dos anos 80 e minha infância que resolvi escrever esse texto, e sim porque outro dia uma linda menina do alto dos seus 8 anos estava me falando da tragédia no Haiti, o que eu tinha achado, e perguntei se ela tinha ficado triste, ela disse que um pouco, mas que nem tinha chorado porque "eles não eram iguais a gente", como assim, eu perguntei, e ela disse: tia, eles não são iguais porque tem a pele mais escura que a gente.  Expliquei para ela que todo mundo era igual, porque somos seres humanos e não importa a embalagem que tem por fora, por dentro somos os mesmos. Ela ouviu, ficou calada e logo mudou de assunto.
Eu me pergunto, os pais dela nunca conversaram sobre isso? Nunca ensinaram que somos irmãos, que devemos amar e respeitar o próximo e coisas tais? Pais, não abram mão dessa tarefa, é por isso que vocês tiveram filhos.

Texto especialmente escrito para o blog Professoras Fundamentais
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