quarta-feira, 11 de março de 2009

Cotidianamente

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Eu gosto de observar pessoas, calma, não é nenhuma tara, é mais um exercício de imaginação. Quem é ela, qual sua história, ela tem a vida que sempre sonhou?
Como vc vive a sua vida? Como você queria? Tomou as rédeas, ditou a direção, tropeçou aqui, levantou lá, mas tá indo. Ou vc simplesmente deixou as coisas aconteceram e virou sócia do fatalístico "Deus quis assim" ou, "É assim que as coisas são".
Nessas observações me pego analisando muitas caras de frustação. Olhares perdidos. Caras de conformismo.
É aquela coisa, vc tá com uns 20 e alguns, namora uns anos, tá noiva outros tantos, melhor casar né? Tá na hora, dizem as tias. Ok, vc venceu, batata frita, e lá vão os noivos. Dor de barriga na hora de entrar na igreja, será que eu tô fazendo o certo? Entra, casa, chora, lua-de-mel, presentes e a vida vai indo.
E quando vão vir os filhos? Filhos? Claro, pq casamento = filhos. É óbvio. É assim que a vida é. Mas um só? Coitada da criança, vai crescer sozinha, sem nenhum irmão. Barrigão de novo.
A pessoa simplesmente vai levando, a vida da vó foi assim, a da mãe tb e a dela é igual. Ela não para para analisar se é isso mesmo que ela quer, vai lá e faz. Mas o que ela sente? Ela nem lembra mais. Parou a faculdade, o marido que sustenta a casa, ele chega cada dia mais tarde, horas extras, levar os filhos pra escola, domingo almoço na mãe. O que ela queria mesmo? O que sonhava? Era essa vida?
Aí vc olha pro lado e vê que está cheio de gente assim, nas ruas, no shopping, no supermercado. Olheiras profundas, duas crianças a tiracolo choramingando, olhar perdido, cabelo preso num rabo de cavalo que fez às pressas, calça de moletom, havaianas.
A vida já não é mais dela, é do outro. É da mãe, é do filho, é do marido. Tem gente que é capaz de levar a vida toda assim, insatisfeita, com um sorriso armado no rosto e dizer: eu sou feliz, tenho marido, filhos, casa, o que mais eu poderia querer?
Não sei. O que vc poderia quer?
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